Os gestos, grandes ou pequenos, recorrentes ou únicos, simples ou sofisticados, são os responsáveis pela imagem que projectamos nos outros. Vistos à transparência são estes que constroem a nossa felicidade, ou a comprometem... uma e outra vez!
Quarta-feira, 26 de Março de 2008
Jardins suspensos

 

                                                                                 Jardins suspensos, 2008

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Por volta do ano 605 AC, reinava na Mesopotâmia o rei Nabucodonosor. A jovem Amyitis havia deixado a sua terra natal, Medes, em nome de uma política de alianças e foi para a Babilónia ser rainha, junto do referido soberano. Apesar do casamento imposto, o rei acabou por ficar cativo de grandes afectos pela senhora sua esposa.

Acontece que Amyitis era oriunda de uma região montanhosa, coberta de verdes florestas e abruptas paisagens sendo que a monótona paisagem da Mesopotâmia lhe causava uma forte melancolia. Tinha saudade dos verdes, das flores e das montanhas que a viram nascer.

O soberano que tinha á sua disposição os recursos do reino, mandou edificar uma imensa obra, semelhante a uma montanha artificial, nas encostas da qual mandou colocar ajardinamentos. Estes, ficaram célebres para sempre e contribuíram fortemente para a beleza global da cidade que segundo Heródoto(450 a.C.): “ultrapassa em esplendor qualquer cidade do mundo conhecido até hoje”.

A História da humanidade está recheada de inúmeros gestos impressionantes, demonstrativos do imenso afecto que por vezes une duas pessoas.

O mais comum dos humanos, tem tendência para sobrevalorizar a magnanimidade destes gestos. Não raras vezes, porque os afectos que sentimos pelo outro são fortes, temos a ideia de que as manifestações dos mesmos, têm de ser materialmente do mesmo grau de grandeza. É vulgar ver jovens casais, organizar almoços de casamento absolutamente desproporcionados face aos respectivos rendimentos; por vezes são trocadas muitas prendas inúteis, mas de valor material suficiente para deixar os envolvidos com alguma asfixia financeira, durante demasiado tempo. A mediatização, a pressão publicitária e o consumismo instalado, não são inocentes neste processo e o mais curioso é que toda a gente sabe isto, mas invariavelmente acabamos por repetir os mesmos gestos… vezes sem conta! Às vezes fico convencido de que ultrapassamos o limite, porque temos medo que o nosso companheiro(a) entenda como falta de afecto a ausência da prenda.

Em boa verdade, quando falamos de nós, referimos que é francamente melhor, sermos surpreendidos por pequenas atitudes que nos fazem felizes, do que ofertas desmesuradas. Então porque insistimos em trocar inutilidades quando podemos trocar os nossos “jardins suspensos” de forma tão simples e que pode preencher as nossas necessidades de afecto?

 



publicado por jmm às 19:00
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