Os gestos, grandes ou pequenos, recorrentes ou únicos, simples ou sofisticados, são os responsáveis pela imagem que projectamos nos outros. Vistos à transparência são estes que constroem a nossa felicidade, ou a comprometem... uma e outra vez!
Sábado, 22 de Março de 2008
Gesto inicial

 

                                                Imagem captada na Serra do Gerês, 2008

“Eu deixo aroma até nos meus espinhos

ao longe, o vento vai falando de mim.

 

E por perder-me é que me vão lembrando,

por desfolhar-me é que não tenho fim.”

                                                                     Cecília Meireles

 

 

Por volta do equinócio primaveril, quando os astros nos convidam à mudança, por necessidade interior ou num impulso ampliado pela saudade do que perdi ou de quem tenho, não tendo, procurei um rumo neste meu pequeno mundo digital. Nas mãos a incerteza dos dígitos e no rosto, o testemunho de um tempo pouco mais que melancólico.

Em pouco tempo, encontrei um grupo … de gestos transparentes, com um par de botas no espírito e a provocação no olhar. Aceitaram-me com a generosidade de quem tem uma alma suficientemente grande para albergar a primavera.

Acompanhei-os, no deambular por um dos poucos espaços naturalmente preservados que ainda restam, neste mundo sobrepovoado e onde o Homem reservou para si o direito de possuir.

Partimos com a ansiedade de quem quer regressar às origens genéticas, que os últimos anos têm recorrentemente negligenciado, em nome dum crescimento que se alimenta da idolatração do seu próprio umbigo, humilhando e exterminando tudo o que estorvar.

Convivemos durante algumas horas com a natureza; ouvimos as aves, os lamentos da água no leito rochoso dos riachos … os segredos das árvores, soprados pelo vento, as confidências das pequenas rochas que connosco se divertiam nas abruptas encostas e o silencioso protesto dos charcos, perturbados por botas ansiosas.

No final sorrimos cansados, num gesto de rara transparência. Por momentos, regressámos à origem; o ciclo fechou-se!

 


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publicado por jmm às 12:28
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